Baby, baby e a participação da sociedade brasileira na política

Na voz carinhosa da eterna Gal Costa, a letra da composição de Caetano Veloso nos sugere uma óbvia lucidez: adquirir um mínimo de consciência e de participação política na sociedade em que a gente vive.

Você precisa saber da piscina, da margarina, da Carolina, da gasolina.

Não saber como a política afeta itens do nosso cotidiano, como a gasolina e a margarina pode custar muito mais caro que o próprio preço praticado no mercado para os mesmos itens.

Líderes birrentos, magnatas do petróleo e bancos centrais mundo afora decidem a seu bel-prazer se o gosto da margarina vai ser mais ou menos salgado para o povo, enquanto uma parcela da população mundial assiste a tudo scrolando a tela do celular e se indignando por protocolo.

Uma pesquisa feita pelo YouGov nos EUA em 2 de março de 2026 mostrou que 48% dos estadunidenses desaprovam os ataques feitos pelo governo norte-americano ao Irã, enquanto 16% não sabe o que está acontecendo no mundo. De novo: dezesseis por cento dos norte-americanos não sabe o que está acontecendo no mundo. Se a mesma pesquisa fosse feita no Brasil, qual seria a porcentagem das pessoas que sequer sabe o que é “Banco Master”?

Dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostram que nas duas últimas eleições que elegemos o presidente da república, houve abstenção de 21,3% em 2018 e de 20,6% em 2022, em segundos turnos, sem contar votos nulos ou em branco. É mais de um quinto dos eleitores aptos a votar.

O voto é uma das participações mais importantes de exercício da cidadania.

Falar sobre política, discutir ações políticas, não é ou não deveria ser sobre discussões mesquinhas que ponham à prova amizades de longa data ou que acabem com almoços de família; motivos pelos quais podem estar minando tais discussões que ao fim e ao cabo seriam de extrema importância enquanto integrantes de uma sociedade que depende da atitude de cada cidadão.

Não somos sozinhos; não estamos sozinhos. Cada ato, de cada indivíduo, interfere nas consequências de todos os outros indivíduos, sejam eles de direita, do centrão ou de esquerda.

O apelo que faço aqui seja talvez muito ingênuo e cheio de clicherismos para o momento atual, mas que nessas eleições de 2026 possamos olhar para um passado não tão distante e aprender a ver com mais cuidado cada passo que demos para estarmos aqui hoje.

Escrito por Aquino de Morais.

Sabemos que não estamos sozinhos neste mundo, vivemos no meio dos outros e só por causa dos outros é que podemos ser quem somos, do contrário não somos. – João Ubaldo Ribeiro, em Viva O Povo Brasileiro.