Review Bigme HiBreak Pro Color

Importei dos estadunidenses um smartphone completamente improvável. Este é um relato da minha experiência de uso, durante as três primeiras semanas, como um celular do dia a dia

Duração da bateria

O assunto mais polêmico do HiBreak. Procurei muito até achar um meio de fazer a bateria durar mais e também carregar mais rápido. Descobri que o SIM card da operadora Vivo aqui do Brasil simplesmente come a bateria, mesmo deixando o celular com a tela bloqueada e sem apps em segundo plano. Para confirmar isso, agora uso o aparelho com este SIM card desativado e a bateria tem durado (FINALMENTE!) dois dias, com um uso comum (leitura de e-mails, ebooks, WhatsApp). Como o telefone tem entrada para dois SIM card, tenho também o da operadora Claro, que incrivelmente não come a bateria tanto quanto a Vivo e ainda funciona bem. Além disso, coloquei todos os apps em modo restrito nas definições de uso de bateria por app. (este último ainda é um teste)

Carregamento da bateria

Lendo posts na comunidade Reddit e fazendo inúmeros testes com cabos e carregadores diferentes, cheguei à conclusão de que o cabo fornecido pela fabricante Bigme é um cabo comum de dados e não serve para o carregamento rápido de 18w que o HiBreak suporta. Tive que comprar um carregador de 20w com tecnologia PD (Power Delivery) – porque o processador do aparelho usa essa tecnologia em específico, ao invés da comumente usada tecnologia Quick Charge (ou CQ) em celulares da Samsung, por exemplo. O que achei foi um kit da i2GO, em que o carregador acompanha cabo USB-C nas duas pontas. Apesar desse modelo ser de 20w, o HiBreak tem lidado bem em reconhecer os 18w de que é capaz e fazer o carregamento ficar (finalmente!) mais rápido. Esse foi um dos pontos que mais me pegou de surpresa.

Com isso consegui diminuir o tempo de carregamento de quase 4 horas para menos de 2 horas. Assim que conecto o carregador à tomada, o telefone calcula o tempo em cerca de 50 min até a carga total, com a bateria em cerca de 15%. Claro que esse tempo vai variar e aumentar, mas é bem mais aceitável as cerca de 1 hora e meia de carregamento atuais (considerando que a bateria é grande) do que as 4 horas de antes.

Outro carregador que testei e deu certo é o da Samsung, não sei se tem diferença de carregadores entre as linhas. Eles são carregadores de 18w, ideal para o HiBreak.

Carregamento usando USB

Sobre a tal mensagem que aparece na bandeja de notificações “Carregamento usando USB”, desde sempre essa mensagem apareceu, independente do carregador usado e independente se o carregamento demora ou vai rápido. Ultimamente, com o novo carregador de 20w, mesmo carregando rápido a mensagem ainda estará lá e eu simplesmente a ignoro.

Tela

Pude notar na prática que a bateria acaba mais rápido com constantes atualizações da tela. Eu uso a maioria dos apps em modo Revista, que é o modo pré-configurado para atualizar menos a tela e melhorar a qualidade das imagens e da leitura. Os modos Padrão e Vídeo do app gerenciador de telas Centro Eink (esse app nativo é excelente e ainda curiosamente guarda as configurações de tela para cada app) consomem mais bateria, mas não é tamanha a diferença. A luz de fundo de led também não consome bateria de modo considerável. 

Processador

Apesar da tela ser de uma tecnologia que a deixa com a impressão de lentidão, o que com o tempo não chega a ser problema, com o processador acontece o contrário. Ele roda banco, mapas, corridas por app, zap, kindle, e o que mais você abrir, sem crise, sem stress.

Bluetooth

Tive um pequeno problema na conexão de bluetooth com os meus fones de ouvido, e também ao tentar conectar no som do carro, em que mesmo conectado e com som rolando, nada saía nos fones ou no carro. Mas aprendi nos posts do Reddit sobre abrir as configurações de desenvolvedor e ali desativar a descarga de bluetooth “A2DP”. Essa função reinicia a conexão bluetooth fazendo tudo funcionar novamente e o som sair.

Dos apps tocadores de música só uso o Spotify e tem sido uma experiência bem comum, como em qualquer outro telefone.

No geral e todo o resto

Confesso que esse smartphone não é pra qualquer um. Precisa ter um básico de desenvolvimento de computador e programação ou vai lutar para conseguir usar o telefone sem dar um pau qualquer e querer devolver. E eu quase devolvi. É um certo perrengue lidar com um aparelho completamente diferente do que estamos acostumados hoje em dia, mas, pelo menos pra mim, tá valendo o esforço.

Nem preciso falar sobre como é bom ler livros, artigos, e-mails, com uma tela que não cansa a vista e dá pra ler por horas a fio. Não tenho nenhum app de streaming instalado nele, nem de redes sociais, e esse é o verdadeiro objetivo. Meu uso com o telefone tem se resumido a leitura.

Há anos eu procurava um smartphone “com tela de Kindle”, como diz o ditado ciberpopular. Na verdade a tela é de E-Ink, uma tecnologia que usa tinta eletrônica para imprimir os textos e as imagens, daí vem o nome E-Ink, tinta eletrônica. Meu namorado até zoa que a tela parece um papel sulfite impresso em uma impressora a jato de tinta (de tinta Ink) – ou seja, ruim.

Depois dessas semanas com alguns desgostos, finalmente fiz as pazes com o aparelho. A experiência com o HiBreak é definitivamente peculiar.

Este texto reflete as impressões pessoais do autor. Escrito por Aquino de Morais.